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quinta-feira, 21 de março de 2013

Chove 48 mm em Ibaretama

Pluviometria no Ceará
Funceme atualiza prognóstico amanhã

Iguatu A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou, ontem, precipitações em 118 municípios. Foram chuvas localizadas, e observadas em todas as regiões do Ceará. Os seis maiores registros de pluviometria prevaleceram na região Sul, no Cariri cearense, e na Zona Norte. Amanhã, a Funceme vai divulgar a última atualização de prognóstico da quadra chuvosa para os meses de abril, maio e junho.

O encontro começou hoje, em Recife (PE), no auditório da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). O evento reúne pesquisadores das instituições meteorológicas do Nordeste, além de representantes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) e de centros de estudos e análises climáticas.

De acordo com a meteorologista da Funceme, Cláudia Rickes, as chuvas verificadas no Ceará, nas últimas 48 horas, foram decorrentes de formação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis, embora fenômeno característico da pré-estação chuvosa (dezembro e janeiro) vem ocorrendo em fevereiro e março. Esse sistema de formação de nuvens em círculo tende a perder força a partir de amanhã. "Teremos chuvas isoladas até amanhã". A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), formação de nuvens e linhas e principal sistema causados de chuvas no Ceará, permanece afastada e está sobre a Linha do Equador. "As chuvas estão ocorrendo sobre o Oceano Atlântico", explicou Cláudia Rickes. "O modelo meteorológico atual é desfavorável à ocorrência de precipitações no Estado". A temperatura superficial das águas do Oceano Atlântico Sul está neutra e do Atlântico Norte, permanece mais aquecida. Esse quadro, denominado dipolo positivo, é, portanto, desfavorável à ocorrência de chuvas no sertão do Ceará. "Se fosse o inverso, seria favorável, mas infelizmente esse modelo permanece", esclareceu Cláudia Rickes. No Oceano Pacífico, a temperatura superficial das águas permanece neutra, não se caracterizando a formação de efeitos La Niña ou El Niño. É outro fator meteo-rológico desfavorável para precipitações no semiárido cearense. Diante desse quadro, os prognósticos são de chuva abaixo da média neste ano para o sertão nordestino.

A Funceme registrou, ontem, chuva em 118 municípios. Embora tenha ocorrido em todas as regiões do Estado, são consideradas localizadas, pois em um mesmo município há áreas em que não houve precipitações. Enquanto os técnicos e cientistas avaliam dados meteorológicos e definem probabilidades de precipitações, abaixo da média histórica, o agricultor, com a fé de um sertanejo que não costuma perder a esperança com facilidade, acredita que a chuva verificada no Dia de São José foi uma bênção e um bom sinal. "A situação está difícil, mas temos de acreditar que teremos um bom inverno", disse o produtor rural, Raimundo Rodrigues. A chuva ainda não foi suficiente para a formação de pastagem natural. No Ceará, a dificuldade dos criadores para a alimentação do rebanho é enorme. Há perda de animais, que morrem de fome nas roças. "Se chover um pouco mais, a situação será aliviada", disse o agrônomo, José Teixeira Neto. "Nesses últimos dois dias, a esperança do sertanejo renasceu e esperamos que não ocorra veranico".

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins, 11 cidades correm o risco de colapso no abastecimento de água. A situação mais crítica, entretanto, é na zona rural, onde as famílias enfrentam enormes dificuldades, pois os poços secaram e os níveis dos pequenos e médios açudes foram reduzidos. A dependência dos caminhões-pipa cresce a toda semana no Interior.

O Ceará enfrenta uma das piores secas dos últimos 50 anos. Em 2012, as chuvas ficaram em torno de 40% da média e neste ano, 2013, estão na metade dos índices verificados no ano passado. Há risco de comprometimento das reservas hídricas, caso não ocorra recarga dos principais reservatórios.

Mais informações

Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme)
Fortaleza
Telefone: (85) 3101. 1117
www.funceme.org.br

Honório Barbosa
Repórter


Fonte: Diário do Nordeste

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Agentes rurais de Ibaretama participaram do XVII Encontro dos Profetas da Chuva

Sertão Central
Profetas apontam estação de chuvas entre regular e fraca

Os estudiosos populares da natureza são admirados e seguidos por muitos agricultores no interior do Estado
Quixadá Um inverno regular a fraco. Este foi o diagnóstico apresentado pela maioria dos cientistas populares, homens e mulheres com experiência na observação da natureza, para a previsão do período da estação chuvosa no Nordeste brasileiro. O prognóstico popular foi divulgado no XVII Encontro dos Profetas da Chuva realizado no fim de semana em Quixadá. Participaram 23 profetas e uma profetisa. Para 14 deles, as chuvas devem tardar no Ceará, chegando somente a partir de março, mesmo assim abaixo da média pluviométrica de 700mm. As precipitações devem ocorrer em áreas concentradas.

Outros quatro profetas apontaram o prolongamento da estiagem no quadro meteorológico. O restante, apenas cinco, insistiu em bom inverno.

Desta vez, o galpão da Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos do Ceará (Acocece), onde os profetas da chuva e o público se reuniram pelo segundo ano consecutivo, ficou lotado.

Segundo a equipe da Mugango Produções, responsável pela organização do Encontro, mais de 500 pessoas assistiram as apresentações. Além de convidados e autoridades, caravanas de universitários da Unilab e de agentes rurais de Ibaretama, um município vizinho a Quixadá, participaram. Todos estavam curiosos para conhecer de perto os profetas, admirados e seguidos por muitos agricultores na hora de tratar a terra para o plantio de sementes.

Os profetas surpreenderam. Após uma homenagem especial ao professor Manoel Lucindo Lemos Júnior, falecido recentemente, filho da profetisa Lurdinha Leite, um a um exibiram suas provas. Fotos, mapas, uma colmeia de maribondo conhecido como inchuí, um ninho de João de Barro, tudo chamava a atenção do público. Era a forma de atribuírem à própria natureza as previsões equivocadas do ano anterior, quando a maioria anunciou bom inverno. "E agora senhor profeta? Qual a sua previsão para 2013?", exclamava o mediador Helder Cortez após anunciar o prognóstico do participante no ano anterior. E quem havia acertado recebia mais atenção, como Renato Lino, da localidade de Tapuiará, na zona rural de Quixadá.

Embora as previsões do Encontro organizado pelo comerciante João Soares e pelo engenheiro químico Helder Cortez não sejam utilizadas como fonte oficial da quadra meteorológica do inverno no Ceará, muitos agricultores ainda se baseiam nelas para iniciarem o cultivo de suas lavouras. Alguns dos profetas aproveitaram a oportunidade para criticar os governantes. Pediram mais auxílio para o homem do campo.

Estratégias
O secretário adjunto da Secretaria Estadual do Desenvolvimento Agrário (SDA), Antônio Amorim, representando o titular da SDA, Nelson Martins, disse estarem sendo traçadas estratégias de emergência caso as precipitações pluviométricas sejam realmente concentradas em algumas regiões e abaixo da média histórica.

Amorim reconheceu o Encontro como importante, tanto no aspecto cultural como científico. Para ele, a sabedoria popular não pode ser desprezada. Os resultados do Encontro devem ser observados com atenção, como um sinal de alerta. A esse respeito, ele divulgou a oferta de mais de R$ 900 milhões, através do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAP), para convivência com a seca no Estado do Ceará.

Outro representante do Governo do Estado presente ao Encontro foi o presidente da Ematerce, engenheiro agrônomo José Maria Pimenta. Acerca do pronunciamento do governo sobre os programas para este ano, começando com a distribuição de sementes, será definido a partir do diagnóstico apresentado pela Funceme no workshop programado para o período de 22 a 25 deste mês.

Os elementos científicos e tecnológicos são mais confiáveis, na avaliação do governo, ao definir o calendário da distribuição de sementes somente após a previsão da Funceme. Mesmo assim, ele comparou as previsões meteorológicas às variáveis econômicas e políticas; estão mudando constantemente sendo praticamente impossível antecipar com precisão o que vai acontecer na pluviometria.

Pesquisadores
Iniciado na noite da sexta-feira, com o Festival de Violeiros, o XVII Encontro dos Profetas da Chuva se encerrou na manhã de ontem, com um bate-papo de alguns dos profetas participantes com pesquisadores e observadores. O geógrafo e professor do IFCE, Lucas da Silva, foi um deles. O estudioso confessou ter ficado ainda um pouco confuso com as previsões. Para ele, a linguagem dos protagonistas é muito subjetiva. Havendo um aperfeiçoamento da interpretação dos sinais apresentados por eles ficará mais fácil de entender, conforme avaliou.

Outra questão apontada pelo estudioso está relacionada às previsões paralelas, apresentadas pelos sertanejos e pelos institutos oficiais. Na opinião dele, a união das duas avaliações poderá aprimorar a definição das previsões sobre o clima.

Ainda na oficina de encerramento, os estudiosos e profetas, dentre eles Erismar da Silveira, destacaram a estiagem atual como a pior dos últimos 40 anos. "Seca assim a gente só viu em 1958 e 1970. O quadro só não é pior em relação àqueles anos porque, atualmente, são desenvolvidas políticas públicas de assistência ao sertanejo, como a construção de cisternas de placa, entre outras tecnologias de convivência com o semiárido, distribuição de água e ainda o auxílio financeiro. Todavia, a expectativa de quem depende da chuva nos próximos meses do ano para ter boa colheita e alimentar o rebanho é sempre de um bom inverno" completou.

Alex Pimentel

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE