Mostrando postagens com marcador Seca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Seca. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de maio de 2013

Seca - Ibaretama e outros municípios estão ameaçados de entrar em colapso

Prefeitos do CE voltam a cobrar ações efetivas contra a seca

A Aprece realizou ontem dia de mobilização para cobrar os recursos anunciados pelo PAC da Seca, anunciado por Dilma Rousseff

Dante de um cenário em que 14 municípios estão em situação de colapso e outros 21, ameaçados de entrar em colapso, a Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece) realizou ontem um dia de mobilização para protestar por ações emergenciais e estruturantes de combate à seca. Prefeitos se reuniram na entidade com o objetivo de cobrar a liberação de recursos anunciados pelo Governo Federal no último dia 2 de abril, quando a presidente Dilma Rousseff (PT) lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) especial para a seca.

O assessor técnico de desenvolvimento rural da Aprece, Nicolas Fabre, criticou que foi prometido pelo Governo Federal, por exemplo, o aumento de 30% da frota de carro-pipa, mas até hoje não se sabe quando nem como vão chegar. “Uma coisa é anunciar aumento de recurso. Outra é saber quem vai entregar e quando”, pressionou Nicolas Fabre, citando que o pacote previa também entrega de equipamentos, como retroescavadeiras e pás niveladoras.

“A seca do Nordeste não é surpresa. A gente não pode viver de esmola, de programas emergenciais todo ano. Tem que se pensar também na prevenção, com projetos estruturantes”, afirmou. Por isso, para elevar o tom de cobrança, a Aprece orientou que todos os prefeitos fechassem as portas ontem, mantendo apenas serviços essenciais. “Pedimos também que usassem fita preta no braço, simbolizando a luta, o luto pelos animais, pela morte da terra”, afirmou a presidente da Aprece, Adriana Pinheiro, prefeita de Fortim, no litoral leste.

Crateús é um dos municípios em situação de colapso e enfrenta das situações mais graves. De acordo com o prefeito, Carlos Felipe (PCdoB), a água da sede do Município deve durar dois meses. “O carro-pipa já é um atraso. O que poderia resolver? interligação de bacias. esse é um sonho antigo”, disse. Ele foi um dos prefeitos que optou por não paralisar, para não prejudicar a população. “Se o Município parar é um castigo”, disse. A Aprece não divulgou levantamento de quantos Municípios fecharam as portas. O POVO tentou contato com o Ministério do Desenvolvimento Agrário na noite de ontem, mas os números não foram atendidos.

Como
ENTENDA A NOTÍCIA
Para reforçar a cobrança sobre o Governo Federal, a Aprece tem mobilizado o próprio Estado e a bancada federal. A entidade destaca que as dificuldades já estão causando sede em algumas cidades.

SERVIÇO
 Associação dos Municípios do Ceará (Aprece)
Onde: Avenida Oliveira Paiva, 2621 - Seis Bocas
Outras informações: (85) 4006 4000

Saiba mais
Segundo a Aprece, além dos Municípios em situação de colapso e da espera pelo reforço na frota de carro pipa, outro problema é a qualidade da água que vem sendo utilizada para abastecer os Municípios. A água , segundo a Aprece, é oriunda de açudes e não tem passado pelo tratamento adequado para o consumo.

O deputado federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB), que participou ontem do encontro com prefeitos, afirmou que a cobrança da Aprece ao Governo Federal não traz pleito novo. “A cobrança dos prefeitos é sobre aquilo que foi anunciado”, disse, pontuando que o problema não é falta de recursos.

Ele defendeu a descentralização da aplicação dos recursos, que já foram aprovados, para os Estados e Municípios. “A burocracia dificulta o fortalecimento do pacto federativo”, reclamou.


FONTE: O POVO

quinta-feira, 7 de março de 2013

Ibaretama - Falta d`água inclusive para o abastecimento Humano

Recursos hídricos
Racionamento começa por perímetro irrigado do Curu

A seca que começou no ano passado provoca primeira intervenção de restrição de água para empreendimentos
Fortaleza. O Perímetro Irrigado do Vale do Curu, no município de Paraipaba, é o primeiro a sofrer com o racionamento d´água. Isso é uma consequências dos baixos níveis dos reservatórios da região, principalmente os açudes Pentecoste e o General Sampaio, respectivamente, com 18% e 20% da capacidade total.

O racionamento foi anunciado pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), como medida necessária para não prejudicar o fornecimento de água para as pessoas da região. O órgão nega que outros perímetros venham a sofrer a mesma medida, com a confirmação de mais um ano de seca.

O diretor operacional da Cogerh, Ricardo Adeodato, disse que a situação com o Curu-Paraipaba, um dos maiores produtores de coco do Ceará, se dá exatamente pelo fato de que o segundo ano de chuvas abaixo do normal impactou fortemente na oferta dos reservatórios que atendem o município.

"O que ocorre no Ceará é que a bacia hidrográfica é desigual. Ao mesmo tempo que temos regiões onde não paira nenhuma ameaça de racionamento, outras avançam situações críticas", disse Adeodato.

O diretor operacional explicou que estão em situação crítica os municípios de Acopiara, Beberibe, Caridade, Irauçuba, Itapajé, Itatira, Milhã, Pacoti, Paracuru, Quiterianópolis, Salitre e Tauá, num total de 12 cidades.

No entanto, o alerta de falta d´água mais crítico, inclusive para o abastecimento humano, já paira em 14 municípios: Alcântara, Antonina do Norte, Catunda, Coreaú, Crateús, Fortim, Ibaretama, Moraújo, Pacujá, Palmácia, Parambu, Pecém, Pereiro e Potiretama.

"Não há riscos de faltar água para consumo humano. Isso quer dizer que o Governo do Estado, através da Defesa Civil, e mais os municípios deverão investir em adutoras, caminhões pipas e perfuração de poços", afirmou o diretor.

Ainda ontem houve uma reunião com os usuários dos sistemas de agricultura irrigada para avaliar onde poderia diminuir ou não a vazão de água bruta. Contudo, a Cogerh descartou qualquer racionamento para Tabuleiro de Russas, Morada Nova e Jaguaribe-Apodi.

"Mesmo que seja um ano de pouca recarga, implica que haverá necessidade de alimentos", disse Adeodato. No caso do Jaguaribe-Apodi, que é abastecido por vários sistemas, inclusive pelo açude do Castanhão, até a perspectiva de ampliação das áreas irrigadas para a produção de sorgo, com destinação para alimento do rebanho.

Também não haverá, pelo menos por enquanto, racionamento para o Araras Norte, uma vez que a recarga do sistema da bacia local está com mais de 40% das reservas.

Ao mesmo tempo, a falta d´água poderá se agravar em Crateús e Tauá. Ambas as cidades devem dever ter parte do problema resolvido com a construção de uma adutora.

Obras
Segundo a Cogerh, o total de reserva hídrica no Estado é de 8,2 bilhões de metros cúbicos, de um total de 18,1 bilhões de m. Além disso, há também 2,5 mil quilômetros de rios perenizados no Estado.

A situação de racionamento ainda não atinge Fortaleza e Região Metropolitana, mesmo numa simulação de reserva zero no sistema de abastecimento para a região. Mesmo assim, a recomendação é de maior austeridade no uso, conforme já foi noticiado por este jornal.

A Cogerh também diz que não impactou no calendário de obras para a conclusão do Eixão das Águas, que agora está na última etapa, ligando o açude do Gavião até o Pecém.

Já as obras do Cinturão das Águas ainda não tiveram início, tendo em vista que há uma dependência da transposição do Rio São Francisco. Mesmo assim, os serviços de engenharia, segundo informou a Cogerh, estão em fase de encaminhamento para a licitação.

A Cogerh tanto exerce o papel de gestora dos recursos hídricos do Estado do Ceará quanto de fornecer água bruta. Assim, realiza também o monitoramento qualitativo, com o objetivo de produzir informações que orientem os usuários na adequação da água bruta, bem como promover a conservação da qualidade da água para empreendimentos e usuários.

Mais informações:
Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh)
Rua Adualdo Batista, 1550 - Parque Iracema
Telefone: (85) 3218.7020

MARCUS PEIXOTOREPÓRTER
FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Prefeitos discutem ações de convivência com a seca no Interior

O secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA) convidou todos os prefeitos dos municípios do Interior cearense para apresentar mais um projeto que mostrará experiências de convivência com o semiárido

Em mais uma tentativa de unir esforços para avançar nas políticas de convivência com a estiagem no Ceará, prefeitos de municípios do Interior cearense se reúnem hoje com o secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado, Nelson Martins, para acompanhar o lançamento de projeto de práticas agrícolas para o semiárido.

Segundo Nelson, pelo menos 19 ações que poderão ser aplicadas em regiões atingidas pela seca serão apresentadas a gestores municipais para que eles repassem as experiências aos agricultores de seus municípios. Dentre os programas, estão projetos de irrigação sustentável, aproveitamento de açudes, produção de forragem (alimento para o rebanho) e de mudas para cultivo.

Em linhas gerais, a ideia é apresentar aos prefeitos e secretários municipais de agricultura relatos de experiências bem sucedidas já aplicadas no Ceará, além de informações sobre a documentação necessária para o processo de realização de convênios e normas de prestação de contas. “O encontro deverá compartilhar também práticas agrícolas específicas recomendadas a cada região do Estado”, detalha a assessoria da SDA.

Mobilização nacional
Na semana passada, em outra ação de mobilização para avançar nas políticas de convivência com a seca, o secretário Nelson Martins reuniu a bancada federal cearense em Fortaleza para tentar viabilizar uma reunião com a presidente da República, Dilma Rousseff. O objetivo de Nelson é levar diretamente à presidente as propostas do Governo do Ceará que tentam minimizar a burocracia que vem emperrando a ágil execução das ações de convívio com a estiagem em território cearense.

Uma das propostas do secretário é agilizar a chegada ao Ceará das sacas de milho oriundas do Centro-Oeste, além da utilização de perímetros irrigados ociosos do território cearense para a produção de forragem.

De acordo com Nelson, há cerca de 15 mil hectares de terras pertencentes ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) que estão livres para plantio. O problema, explica o secretário, é que para o Estado se apropriar desses lotes é preciso que uma medida provisória seja aprovada em Brasília, daí o interesse da SDA em fazer a situação chegar ao conhecimento da presidente Dilma. “Em nível de Ministério da Agricultura, a coisa não tem se resolvido. A gente precisa fazer o problema chegar até a Dilma, porque a burocracia não tem ajudado”, disse o secretário, na semana passada.

Por quê
ENTENDA A NOTÍCIA
Em uma das mais severas estiagens das últimas décadas no Ceará, Governo, prefeituras e iniciativa privada têm unido forças para tentar amenizar os efeitos da seca que castiga praticamente todo o Interior cearense

SERVIÇO
 Lançamento do Projeto Práticas de Convivência com o Semiárido
Quando: hoje, às 14 horas
Onde: Auditório do Parque de Exposição Governador César Cals – Avenida Sargento Hermínio, 2677.

Saiba mais
Alguns projetos que serão discutidos
Revitalização dos Perímetros Irrigados Estaduais
A Secretaria de Desenvolvimento Agrário visa revitalizar 12 perímetros públicos estaduais para produção de alimentos de alta qualidade e sementes sadias e vigorosas para atender aos produtores da agricultura familiar.
Produção e Sustentabilidade das Agrovilas
Trabalha a organização da produção e dos produtores; a difusão tecnológica; a infraestrutura hidráulica e a mudança dos sistemas de irrigação.
 Produção Integrada Mandalla Ceará
É um processo de Desenvolvimento holístico e sistêmico ambiental, que busca contribuir para o resgate da dignidade humana, através da melhoria da qualidade de vida, da produtividade econômica e do equilíbrio ambiental
Apoio à Implantação de Sistemas de Irrigação Sustentável
Projeto para instalação de sistema de irrigação localizada através de projetos produtivos diversificados com frutas, hortaliças, tubérculos e grãos, com avançadas tecnologias de irrigação, drenagem e biocompostagem líquida.

Medidores Horosazonal
É um equipamento de medição de energia elétrica de dupla tarifa (medidor horo-sazonal) a ser instalado nas propriedades rurais com fins de irrigação e aquicultura.



FONTE: O POVO

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Vítimas da seca - Ibaretama deve ser beneficiada com donativos

Interior recebe donativos da CDL de Fortaleza
A entidade doou água e alimentos para complementar o obtido com Réveillon da Solidariedade

Fortaleza. Vários cearenses estão em situação nada confortável devido à seca que atinge suas cidades. Para minimizar os efeitos da ausência da chuva no Interior, o governo estadual, com a colaboração direta da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, está encaminhando água potável e alimentos não perecíveis aos 21 municípios mais atingidos pelos efeitos da estiagem.

No ano passado, o Governo do Estado, já prevendo as dificuldades que os sertanejos iriam passar por conta da seca, lançou a campanha "Força Solidária", para a arrecadação de alimentos e água destinada às localidades com situação mais critica no Ceará. "O sentimento da CDL é de missão cumprida e consciência tranquila por atender ao chamado do governador nessa ação, justa e nobre, de doar água e alimentos para a Defesa Civil do Estado e ajudar nossos irmãos cearenses, vítimas da seca no Interior", ressalta o superintendente da CDL de Fortaleza, Antônio Carlos Rodrigues.

Nesse momento, o comércio, por meio da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Fortaleza (CDL), tendo à frente o empresário Freitas Cordeiro e toda a sua diretoria, forneceram cerca de 47 toneladas de alimentos e mais de 3.780 litros de água no Réveillon da Solidariedade. "Fica o exemplo nobre da CDL para que outros também façam a sua parte e contribuam para melhorar um pouco a situação dos cearenses que estão sofrendo com a seca", reforça o superintendente da CDL de Fortaleza.

Em boa hora

Para o capitão do Corpo de Bombeiros, Manoel Privino, responsável pela triagem e distribuição das doações, a contribuição da CDL agilizou o processo de montagem dos kits solidários. "Com o material doado pela CDL, demos uma acelerada porque recebemos itens que faltavam para montar as cestas. Vamos adicionar esse material que, certamente, vai aumentar a quantidade de cestas e acelerar a entrega".

A entrega dos donativos começou pelo Sertão Central e segue em ritmo acelerado desde o dia 7 de janeiro, quando os municípios de Caridade e Canindé receberam, cada um, 230 cestas e 2.760 litros de água. Depois, a Defesa Civil ainda abasteceu outras 12 cidades do interior com o mesmo número de cestas básicas e 2.820 litros de água, para cada uma.

Os próximos municípios que devem ser beneficiados com os donativos serão os situados na regiões Norte e Centro-Sul do Estado, a começar por Sobral. Ao longo desta semana, a Força Solidária deverá chegar aos municípios de Acopiara, Independência, Abaiara, Morada Nova, Tauá, Ibaretama e Iguatu. A expectativa é que todo o material da campanha seja entregue até o fim de fevereiro, conforme a Defesa Civil.

O capitão reforça que a Força Solidária pretende agilizar a distribuição das cestas e, por isso, depende de um retorno das prefeituras com os dados dos moradores mais afetados pela estiagem que tenha cadastro no programa Bolsa Família. "Nossa intenção é manter o ritmo, mas ainda temos algumas dificuldades como a falta de alimentos para completar as cestas".

Como ajudar

Para doar em grande quantidade e ajudar no trabalho da Força Solidária, o capitão pede que pessoas, físicas ou jurídicas, entrem em contato diretamente com ele através do telefone (85) 8899.1132. As seis unidades operacionais do Corpo de Bombeiros da Capital (Aeroporto Pinto Martins, Centro, Conjunto Ceará, José Walter, Messejana e Mucuripe) também são pontos de coleta da campanha.

FIQUE POR DENTRO

Municípios beneficiados com as cestas

Até o momento, de acordo com a Defesa Civil, 14 municípios cearenses já foram agraciados com os donativos arrecadados pela CDL de Fortaleza. São eles: Canindé e Caridade (7 de janeiro); Boa Viagem, Madalena e Mombaça (dia 9); Quixadá e Quixeramobim (dia 14); Choró (16); Santa Quitéria e Irauçuba (17); Campos Sales (21); Crateús (dias22); Lavras de Mangabeira e Pedra Branca (último dia 23).

Mais informações:

CDL de Fortaleza
Rua 25 de Março, nº 882 - Centro
Telefone: (85) 3464.5506
http://www.cdlfor.com.br/
e-mail: contato@cdlfor.com.br
  


FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ibaretama - Pesca do muçum é alternativa para suprir carência do peixe tradicional

Com a safra totalmente perdida, a prioridade de agricultores na zona rural é salvar os animais que restam
Ibaretama. Sem água, o peixe tradicional morre. A última espécime a sobreviver é o muçum, que serve de alimento para muitos agricultores. Um deles é Francisco Mendes do Nascimento. Diariamente, ele pega o seu anzol improvisado e se dirige para o açude do Cavalcante, próximo ao hospital municipal da cidade.

Diante da presença da reportagem, Chico Nascimento, como é conhecido, tenta negar que esteja fisgando muçum para alimentar a família - dois filhos e a esposa. "Na verdade, estava apenas de passagem, para pegar a filha no colégio e parei aqui no açude para pescar por esporte", conta, por volta das 14 horas.

O agricultor revela que, no ano passado, nesse mesmo período, chegou a pescar cará de três quilos. Apontando para uma distância de aproximadamente cem metros, mostra onde a água estava. "É muito triste ver a situação atual. Esse é um local que é usado como área de lazer, principalmente nos feriados e no Carnaval. Hoje está assim, quase seco. O que resta é alguma água e muita lama. Daí resistir apenas o muçum", diz, já admitindo que "eventualmente" costuma pescá-lo para "quebrar um galho".

Chico frisa, ainda: "apesar do aperto por causa da seca, recebemos o Bolsa Família. O que praticamente desapareceu foi a oportunidade de conseguir uma ocupação para substituir a agricultura, pois perdemos todo o milho e o feijão que foram plantados no início do ano".

Embora não pareça, o Muçum é um peixe. Bem peculiar, mais se assemelha a uma cobra por seu formato - sem nadadeiras, peitorais e ventrais, desprovido de escamas e bem liso, o que motivou o adágio popular: "mais liso que muçum". Além disso, se adapta às águas pouco oxigenadas, daí sua facilidade em viver na lama, no caso do açude Cavalcante, resultante do que um dia foi um manancial hídrico.

José Roberto da Silva, vigia de uma escola pública localizada ao lado do açude particular, garante que Chico costuma pegar muçum ali todos os dias. "Ele não é o único. As pessoas têm um pouco de vergonha, pensam que é humilhante tirar o bicho da lama para levar para casa. Não tem nada a ver. Trata-se de uma comida deliciosa. Quem já provou torrado com cachaça não esquece nunca".

Prioridade

No retorno à propriedade do médio produtor Júlio Alves de Lima, 77 anos, localizada na zona rural de Ibaretama, o otimismo que ainda perdurava em abril foi trocado pelo pragmatismo da sobrevivência. Seu Júlio, na companhia dos três filhos, após três tentativas de emplacar uma boa safra de milho e feijão, desistiu.

"Foi tudo perdido. Só me resta fazer o que for possível para salvar os animais e evitar que eles sofram". Das 70 cabeças de gado que criava na propriedade de 120 hectares, trinta foram negociadas por um preço aquém do que seria conseguido em condições normais.

"Nos desfizemos de quase a metade para poder alimentar o restante. Mesmo assim, estou temeroso, pois não é possível suportar sem chuva por mais um ou dois meses", alerta seu Júlio.

Todos os dias, Nélio, filho mais velho, queima dez baldes de mandacaru para dar aos animais. Depois de triturado, o cactáceo é misturado à palha de arroz que foi adquirida em Morada Nova. "Compramos em outubro último 19 rolos de palha de arroz. Isso representa cerca de 12 mil quilos. Pela nossa estimativa, isso vai garantir comida para os bichos até o fim do ano".

Mesmo destacando que a estiagem é semelhante à registrada em 1958, Júlio Alves ressalta que a diferença fica por conta de medidas mitigadoras adotadas desde então, como os mecanismos sociais criados pelo governo ao longo do tempo, complementados por ações emergenciais. "Antes, tínhamos as frentes de serviços, que pagavam uma miséria aos agricultores. Hoje, os seguros dão um suporte muito bom às famílias. O problema é a falta d´água para os animais. Isso é que é preocupante", afirma.

Durante a nossa segunda visita à propriedade de seu Júlio, ao chegarmos, nos deparamos com uma cena insólita para os dias de hoje no sertão nordestino: ele manuseava um punhado de milho. Sobre o fato, foi logo desfazendo a nossa expectativa de que tivesse salvado alguma coisa da lavoura.

"Não é o que parece. Esse milho foi guardado em um tambor da safra de 2010. Estou fazendo a seleção para o plantio. Desisti de 2012, mas a vida não para e o próximo ano está em cima. É só ter um bom sinal de que vai chover com certa regularidade que corremos para a enxada para começar tudo novamente".

Josenias Cândido de Lima, sobrinho de seu Júlio, reclama da dificuldade e dos encargos para conseguir o milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "Pagamos três fretes, de Mato Grosso para Fortaleza, R$ 2; de Fortaleza para Ibaretama, R$ 3 e da sede do nosso município até a zona rural, mais R$ 2. Assim, a saca do milho que é entregue por R$ 18 chega até nós por R$ 25. É bem verdade que ainda vale à pena, pois a saca custa R$ 50 em locais como Ibicuitinga e Quixadá. Além disso, há muita dificuldade de encontrar o produto".

Lamento
A esposa de seu Júlio, dona Maria Eduarda de Lima, 75 anos, relata que a aparente tranquilidade do marido não condiz com a realidade. "Ele passa noites sem dormir contrariado com a situação dos animais. É muito dolorido vê-los passando fome e sede. Quem não cria, não se desespera tanto. Mas a gente observando de perto sente uma agonia enorme, um grande aperto no coração. Rezo todos os dias pedindo para que esse sofrimento tenha fim e a água da chuva volte a molhar o nosso chão".

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE (09/12/2012)
FOTO: WALESKA SANTIAGO

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Governo decreta situação de emergência em 96% do Ceará

O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado, e o Governo aguarda ajuda da União para auxiliar cearenses
Diante do cenário de seca em que se encontra grande parte da população do Estado, o governador Cid Gomes assinou um decreto em que declara situação de emergência em 178 municípios cearenses afetados pela estiagem, o que corresponde a 96% dos 184 municípios do Ceará. O decreto foi publicado, ontem, no Diário Oficial do Estado.

De acordo com Decreto nº 31.053, a declaração tem como objetivo combater e minimizar os efeitos da estiagem que têm ocasionado perdas de pastagens e lavouras no Ceará.

O documento foi assinado na última terça-feira (20). "O decreto é a renovação do estado de emergência onde perduram os efeitos da seca", disse o governador, que assinou os termos com base em relatório técnico da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Conforme o documento, somente 10 cidades, entre elas Fortaleza, não estão sofrendo com os efeitos da seca.

Segundo o documento, está garantida a mobilização do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil no âmbito do Estado para prestar apoio aos municípios com articulação em todas as Setoriais do Governo e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.

O governador Cid Gomes lembrou que o decreto é uma medida formal e legal para permitir que uma série de ações sejam implantadas para minimizar as dificuldades ocasionadas pela seca, garantindo, por exemplo, como a disponibilização de crédito aos pequenos produtores rurais.

O Ceará, ainda conforme o governador, é o segundo Estado do Brasil que mais tem conseguido alavancar investimentos do Governo Federal.

Os investimentos são relacionados ao abastecimento de casas rurais com carros-pipa, além de Bolsa Estiagem, que atende cerca de 200 famílias com um auxílio de R$ 400. O valor deve ser pago em cinco parcelas mensais de R$ 80. O Governo está separando R$ 360 milhões para possíveis secas.

Para isso, barragens devem ser construídas e sistema de abastecimento de água melhorados. O titular da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Nelson Martins, afirmou que diversas medidas para minimizar os efeitos da estiagem têm sido discutidas pelo Comitê Integrado de Combate à Seca.

Medidas

O grupo é composto por representantes do Estado, Governo Federal, municípios e movimentos sociais. A ação mais emergencial para combate à seca, conforme o gestor, são os carros-pipas. "O Exército já está atendendo em 94 municípios, e a Defesa Civil do Estado tem atendido em 27", explica. A expectativa é de que esses carros abasteçam, futuramente, cerca de 172 regiões atingidas pela falta de água.

Para o próximo ano, de acordo com o secretário, o Estado espera beneficiar mais de 350 mil famílias com o Garantia Safra, voltado para os agricultores localizados no Nordeste que sofrem perda de safra por motivo de seca ou excesso de chuvas. "As dificuldades são grandes no Ceará, porém, aqui não falta água, o que precisa melhorar é a maneira como ela é distribuída, e isso já está sendo feito", diz.

Entre os municípios atingidos estão Sobral, Brejo Santo, Camocim, Canindé, Caucaia, Forquilha, Quixadá, Tianguá e Russas.

Urgência

350 mil famílias serão beneficiadas, em 2013, com o Garantia Safra. O seguro auxilia nordestinos que sofrem com a perda da safra. Um total de 300 mil está cadastrado

121 municípios, ao todo, já estão recebendo carros-pipas do Exército e da Defesa Civil para suprir necessidades das famílias e reduzir os estragos da seca.



FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sertão Central - Seca provoca alta nos preços


O aumento está ligado às perdas das culturas, ocasionadas pela pior seca dos últimos 30 anos no Estado do Ceará

Quixadá Os preços do arroz, do milho e da farinha, alimentos comuns na mesa sertaneja, estão começando a disparar no Sertão Central do Estado. Nos armazéns de Quixadá, responsáveis também pelo abastecimento das cidades vizinhas, devem subir em média 40% até o fim do mês. São os efeitos da pior seca registrada nos últimos 30 anos no nosso Estado. Afetou todo o semiárido, provocando a perda das safras dos cereais mais consumidos pelos nordestinos.

Segundo o comerciante Gilberto Falcão, com mais de três décadas dedicadas ao ramo, o impacto só não é maior porque os atacadistas estão controlando a alta dos preços. O fardo de arroz está sendo vendido na cidade a R$ 57,00. Até o fim do mês, a saca de 40 quilos deverá estar ultrapassando R$ 60,00.

Antes da seca, não passava dos R$ 47,00. A maior parte do arroz comercializado na região vem do Rio Grande do Sul, mas é produzido na Argentina, e chega ao Ceará de navio. No caso da farinha, a saca de 50 quilos custava no máximo R$ 60,00, mas deve chegar a R$ 90,00 até o fim de setembro. A produção do Estado está acabando, o jeito vai ser apanhar em Pernambuco.

Milho

Ainda conforme o comerciante, o problema mais grave é com relação ao milho. O produto subsidiado pelo Governo Federal ainda não chegou aos armazéns. Quem tem urgência na compra é obrigado a recorre aos atravessadores, sem a certeza da origem.

Enquanto na tabela da Conab está registrada a R$ 32,00, a saca está custando em média R$ 50,00. O efeito também atinge o preço do quilo de frango abatido. Nas últimas semanas, pulou de R$ 3,00 para R$ 5,00. Mas, segundo Falcão, o consumidor sentirá as altas gradativamente.

Apenas o feijão de corda continua com o preço estável, na casa dos R$ 3,00 e R$ 4,00 o quilo. Como o ciclo de produção é curto, cerca de dois meses, e está sendo cultivado através de irrigação, na Chapada do Apodi, não deve subir. No período da quadra invernosa estava custando de R$ 6,00 a R$ 7,00. Considerando que o grão é o principal alimento do cearense, passou a ser produzido em maior escala quando a estiagem se consolidou e a procura aumentou.

A gerente do Atacado São Geraldo, Neylivania Lemos, concorda com Falcão. Os preços nas prateleiras sobem, mas aos poucos. Afinal, a maior clientela são os agricultores, que perderam toda a safra com a seca. Como não tem produção para vender, ficam sem dinheiro para comprar.

Mesmo assim, uma alternativa é comprar o quilo do arroz no atacado. O intermediário custa R$ 1,78, caso o consumidor leve mais de 10 quilos. Optando por menos, o preço é de R$ 1,89. A alternativa encontrada foi a compra de containers fechados. Mesmo assim, as vendas caíram mais de 30% em agosto.

ALEX PIMENTELREPÓRTER


FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE
FOTO: ALEX PIMENTEL